Feeds:
Posts
Comentários

about a thing

And we will be together, como todas as vezes em que o rádio mentia e ele lhe dava a mão, fazendo o mesmo. And we’ll be together, como previsão zodiacal, que engana. And we will be together, como se cita pássaros, mares, dores e tudo o que se sente… Mas passa. And we’ll be together como se every day and every night fosse brincadeira que acaba quando bate o sinal ou alguém recolhe os brinquedos do parque. And we’ll be together como o esmalte corroído nas unhas, a calça rasgada, a vida envelhecida na gaveta e tudo o que se desgasta and we’ll be together. Porque ninguém arriscou dizer até quando.

Porque ninguém quis a culpa de acertar.

Passo

A verdade? Mesmo? É que eu perdi muito tempo, sabe. Fui engolindo muita coisa, dando muito mais do que recebendo. E não é que eu queria cobrar dívidas, mas agora, de longe, to entendendo que eu só levei prejuízo mesmo. Sabe essa sensação? É parte do pacote, né…

Eu não to falando de nada impossível de entender e também, que não soe indelicado, não to pedindo compreensão.  To falando de sentimento só. No sentido mais íntimo a cafona da palavra. É verdade que as músicas, o trabalho, os amigos e todo o resto que eu invento ajudam a ir levando. Adio o sono tanto quanto eu suporto – o que, quase sempre, é pouco – mas eu não mudei nada, nadinha. E o orgulho de resistir também me deixa feliz.

Porque também tem umas coisas dando certo, sabe. Outras nem tanto, mas as que vão, vão muito bem, obrigada. To com menos pena de largar mão. Não que eu desista fácil, mas aprendi que se não é pra ser, a gente muda o caminho e pronto, porque a vida tem o costume de durar menos do que a gente gostaria. Poucoquasenadajácabou. Eu gosto de aproveitar.

E, até aí, tudo bem. Duro é que, vez ou outra, eu dou de ser persistente. Gasto uma energia… Mas também não é nada absurdo, eu sei, quanta gente não acorda todo dia pra fazer o mesmo, né? Persistir, resistir, insistir, batalhar. Eu faço por opção. Se cai melhor ou pior, é pessoal.

E vai indo assim. Pesando, flutuando, arriscando, ponderando, dando trabalho, realizando. Com mais carga e, já dá pra dizer, mais calos, to aprendendo a fechar minhas contas, minhas malas, a perdoar dívidas, deixar pra trás. E admitir o que ainda me pesa na bagagem. Porque tem coisa que se a gente não leva junto, faz falta. Outras fazem falta justamente porque a gente deixa. A verdade? Mesmo? É que a gente não pensa. Só segue…

Páginas viradas, abraços grandes, beijos molhados, cama desfeita. Te desejo só o que for bom pro ano que chega.  Encontros com os amigos,copos cheios, gargalhadas altas, piadas prontas, comemorações sem motivo, incômodo ao vizinho… Te desejo um sonho realizado, um desejo apertado, um sabor novo experimentado. Goste ou não.  Livros, filmes, móveis novos, armário renovado, mesa posta, muitas janelas e ar. Novas pessoas, amigos de infância, uma coisa antiga, uma novidade boa. Te desejo vitórias e caminhos de nunca desistir, mas de poder voltar atrás se for o caso. Te desejo sorte, que nunca lhe falte o guarda-chuva na mochila, nem o agasalho. Que também não te falte o senso, o sentido, o sentimento, o recolhimento, o entendimento… Nenhuma dessas coisas que fazem a gente ser gente, sabe? Os sonhos!

Te desejo desejos, o primeiro passo, o auto-conhecimento. Te desejo um baque gelado e um abraço de aconchego. Um chamego. Um carinho. Uma flor. Eu te desejo muito amor, mesmo, pra que você nunca deixe encontrar motivos.

Te desejo coisas acrescentadas, coisas aprendidas, caminhos percorridos, histórias ouvidas… Que você aprenda. E cresça! Desejo também que você se satisfaça, que se regale, aproveite. Que passem por você e deixem marcas. E que você mesmo sempre tenha algo que marcar nos outros. Sempre… Que você troque.

Que seja justo, ético, reto, tenha caráter, brio. E que isso jamais te soe como falta de diversão.

Desejo à você uma alegria escandalosa, grande, impalpável e em paz. Que a gente corra longe do atraso, do retrocesso, que a gente consiga brilhar, junto, e que ninguém seja ofuscado. Que a gente seja equipe, mas que dê conta de segurar as pontas quando a bagagem for de carregar sozinho.Que a gente não perca o foco e mire sempre sempre em frente, que não se perca da gente e não deixe nunca de enxergar o outro.

Que a gente fale menos e realize mais. E faça. Desejo que o nosso ano seja feito do que a gente merecer, cheio do que a gente conquistar, repleto de coisas de que se orgulhar e divisível. Sempre. Pelo número exato de pessoas que a gente amar. Que esse seja um ano de realizar. De concretizar. De botar a mão na massa. De fazer!

Feliz ano novo, feliz carnaval, feliz páscoa, feliz natal… Feliz aniversário no meio do caminho, parabéns pelas conquistas e força, muita força nas derrotas e nas perdas. Porque é assim que eu quero 2012. Inteiro. Pra mim e pra você.

19 natais depois

Amava, sempre amei o natal. Não eram só os presentes que, sinceramente, nunca vieram aos montes nem nada. Não era só a comida da vó, a rosca recheada da tia, o pai tocando violão até muito tarde, eu dançando em cima da mesa “Na boquinha da garrafa” sem dever nada pra ninguém – simplesmente porque eu não tinha tamanho pra me preocupar. Não. Era outra coisa e ao mesmo tempo era tudo isso junto, sabe como é? Euforia, ansiedade… Viajava uma semana antes pra casa da vó, só pra ir ficando pertinho do natal e curtir. Agora não. As coisas mudaram. São esses passos assim, que a gente vai dando sem fazer muita questão, pra notar a diferença só no final.

Antes a gente colocava a meia na janela, ia pisando fininho até a árvore de natal no meio da noite, só de curiosidade. Perguntava se o primo tava acordado e se ele achava que tinha sido bom menino o bastante pro papai Noel dar o que ele pediu. O primo até fazia exame de consciência, coitado. E eu ouvia, sem sono nenhum, imagina, como pode dormir uma criança que vai passar todo o dia seguinte brincando com o presente que esperou o ano todo? Bem capaz…

Depois de um tempo, a gente já desconfiava do papai-noel. Escrevia as cartas pra irmã mais nova não deixar de acreditar, mas a gente mesmo… sei não. Era melhor acreditar, no final, fazer o pedido e curtir mais a ceia, a festa, o amigo secreto, o corre-corre com os primos e capotar. No dia seguinte os presentes estariam lá e, se não fosse o que a gente pediu, ia ser algo legal porque era natal mesmo, não dava pra ser ruim. A mãe ganhava os panos de prato e os tapetes, que a vó mesmo fazia. O almoço era cheio de piadas que a gente não entendia e os adultos não repetiam, mas a gente brincava menos, eu acho. Eu, particularmente, comia mais. E como!

Depois a gente começou a ter preguiça nas decorações. E a curtir mais as outras confraternizações: amigos secretos de poucos reais e muitas risadas, entre os amigos e colegas de classe. A festa do trabalho da mãe, que normalmente tinha piscina e um monte de gente da nossa idade… O pisca-pisca ainda tava lá no jardim de casa, no pinheiro que a gente plantou um dia e que crescia muito a cada natal. Tinha um CD de músicas natalinas, o pinheirinho decorado na sala, as bolas, laços, estrelas, até a toalha de mesa tinha motivos natalinos… Mas os presentes a gente já começava a receber antes de viajar. E eles nunca mais ficaram em baixo da árvore. A gente começou a se preocupar com a roupa da festa, a ajudar a mulherada nos preparos da comida. Conversava com os primos em vez de brincar de verdade. E falava menos na revelação do amigo secreto… A gente dormia mais cedo até, mas não porque cansava. Alguns inclusive voltavam pras suas casas pra dormir mais confortáveis. Outros, depois de um tempo só mandavam os presentes e viajavam pra outro lugar. A gente acostumou. Sem achar bonito.

Hoje, aqui na minha rua, algumas casas ainda têm a iluminação de natal, que eu comecei a achar meio brega. Meu pinheiro tá pelado, eu não peço mais nada e dou presentes com muito mais gosto, é verdade. Mas a festa, de fato, não faz mais a minha cabeça. Sei lá o que aconteceu. A cidade toda, esse ano, tá me parecendo menos iluminada, eu não tenho nada pra pedir pro papai Noel, nem papai Noel eu tenho mais, eu acho. Os presentes estão diferentes também, o amigo secreto, a ceia… a gente.

Eu nunca dei bola pra esse papo de natal ser época de bondade simplesmente porque eu não acredito que exista época pra isso.  Também não saia espumando e apontando a hipocrisia alheia. Mas é que agora as pessoas nem disfarçam mais, sabe. Nem no natal. Nem na família.  Nem em lugar ou época nenhuma… O natal era sincero, durava muito mais que o dia 24/25. E mesmo que a família não fosse perfeita, a gente tava lá. Fazendo mil pratos, elogios, abraços, agradecimentos e até as orações.

Lembro de um natal na casa da tia Edna. Uma família de amigos dela tinha sido assaltada e estava sendo mantida em “cativeiro” pelos assaltantes. Na noite de natal. Os homens saíram na tentativa de ajudar a polícia, as mulheres fizeram círculos de oração e eu torci tanto pra que nada de pior acontecesse… E não aconteceu realmente. Foi incrível pra minha compreensão de dez anos de idade ver o bem vencendo no natal

Eu nem imagino mais o que os vizinhos fazem nas suas ceias. No natal dos Cunha, agora, tem mais priminhos, priminhas, maridos, esposas, namorados, agregados… Mas… Não sei… Ele também tá mais vazio. E eu sinto muito por isso. A minha casa tem só o pinheirinho da sala e panetones nos cafés da manhã. Eu não passo mais o natal com a mãe, por motivos de força maior. Nem o Ano-novo com o pai, que é outro assunto. Sei lá… As festas de fim de ano andam, agora, com cara de expediente. A gente praticamente ta batendo cartão em troca de pequenas recompensas. Acabou sabe. E eu amava, amava muito o natal.

Com o tempo a gente cresce. E entende que os cortes nunca doerão menos ou mais e, principalmente, que nunca deixarão de existir. Mas a gente também entende, aos pouquinhos, que existe um jeito de lidar com eles, de tocar a bola pra frente, sorrindo de verdade… E conforme a gente encontra esse jeito a gente também vai se encontrando, se conhecendo, se entendendo, se pesando… E tomando mais cuidado com isso que a gente não pode deixar na mão de mais ninguém. Porque é responsabilidade nossa, que só a gente entende.

A gente normalmente fraqueja nessas horas. Exatamente nessas horas. E a gente não exige do mundo nada além de uns dias com mais sol que chuva. E que os amigos não viajem. A gente não exige compreensão, não exige atenção, não grita mais, não esperneia… Pelo contrário. A gente cresceu muito pra fazer birra.

A gente, agora, entende de merecimento e de não possuir nada, só o que a gente conquista e que, mesmo assim, pode escorrer pelas mãos a qualquer hora do dia ou da noite. Quando a gente talvez nem espere mais.

A gente até se pergunta em que momento foi que a gente perdeu a atenção. Como é que a gente não se deu conta e ficou assim tão desarmado e nu perante as surpresas. Tão vivendo em outro mundo, pensando em coisas tão, mas tão diferentes. E a gente entende que cresceu muito, mesmo… mas nunca vai ser grande o bastante pra se preparar pros desapontamentos. Pra não chorar.

A pose durona não cola pra sempre, e o sorriso compreensivo, ainda que verdadeiro, não consegue segurar todas as emoções que a gente vai cozinhando disfarçadamente. Até ele treme um pouquinho, pra mostrar que a gente não é tão forte assim. E que carregar sorrisos conforta, mas também pesa vez ou outra.

A gente entende o que quer e o direito que tem. Mas também entende que a vida não presenteia simplesmente. A vida é sempre de quem corre atrás e, pra nossa sorte, isso não muda. O resto muda.

E a gente cresceu demais pra conseguir só acompanhar, sem preocupação. A gente cresceu demais pra conseguir ser consolado de verdade. A gente cresceu demais pra não correr atrás. A gente cresceu demais. E, no fundo, a gente morre de orgulho disso… Mas também morre de saudades de quando curava tudo com um picolé.

Nice to meet you

De repente abriu os olhos, depois de anos, sem saber exatamente quem era, onde estava, a gíria do momento. Sequer sabia qual língua devia usar. O dia, o mês, o ano, a estação. Não sabia nada. Seu número de telefone, endereço, seu nome. Não saber era tudo de que precisava… Tinha vontade. Vontade ela nunca havia esquecido o que era. Tinha fome, sede, dor nos ossos, por dentro, ardendo. Como se cada pedaço do corpo estivesse tão curioso por se reconhecer, que torcesse. Como se, de tão desacostumados, os músculos se cumprimentassem, e arrumassem suas casas pra voltar à vida que era dela. Ela precisava deles, da força, do coração pulsando. Ela precisava sorver algo de algum lugar. Aprender os passos outra vez, as palavras novas, a compreensão. O faro, menos acostumado, também menos lhe traía. Sabia de antemão, ainda e mais do que antes. Era desconhecido, desespero, ao mesmo tempo. E vontade de matar saudades. Era tão paz, quando podia ser ansiedade. Queria tudo até o fim, mesmo depois de tirar os pesos das costas. Não é que ela tivesse mudado, só estava sendo apresentada. A ela mesma. Depois de muito tempo, sem intervenções cirúrgicas ou tinta no cabelo, ela era a de antes. Que nunca tinha se abandonado, é verdade. Mas que finalmente tinha o coração consertado. Voltou.

Mesmo certa de que quebraria outra vez.

Horóscopo da semana

Eu nunca acreditei no horóscopo. Mas volta e meia eu leio e vou adaptando a sorte às coisas que eu quero acreditar que vão acontecer. Faz bem…

Hoje me peguei lendo o seu signo… O meu não leio desde que achei o amor de novo ou desde quando ele se realizou – O que aconteceu antes, eu acho… O que interessa  é que hoje me peguei lendo o seu horóscopo. Porque eu precisava saber se coisas boas iam te acontecer.

Isso tem me preocupado, sabe? Quero muito que coisas boas te aconteçam. Se eu soubesse, juro que rezava, fazia uma promessa. Mas eu sei agir, só. E torcer, se as cartas não passam pelas minhas mãos… Eu tô torcendo.

Como eu tava dizendo, eu li o horóscopo da semana, o seu, e ele dizia umas coisas sobre Júpiter em quadra com Netuno e sol num lugar que parecia bem importante. Achei que significava algo grandioso e bonito. Não tinha nada de plutão, que é frio e longe pra caramba. Achei que podia significar algo. Algo bom.

Aí falava de amor também e movimentos de rotação. Tive  um daqueles pensamentos maliciosos e bons. Aí voltei a me aplicar quase profissional e axiológicamente na previsão. Quase.

Tinham umas coisas sobre mudança, confiança e pé atrás. E calma. Achei que, se desse pra costurar, nossa, tava perfeito. Uma luva. Tudo a ver.

Não vou lembrar dos ciclos lunares, das mudanças de eixo, do são Jorge espremido na minguante… eu sei só que você pode ficar tranquilo, calmo, confiante. Os nós vão se desatar, os caminhos serão traçados, as portas vão ser abertas… E não chove na terça, apesar da ventania. Tava lá, escritinho, que tudo que for pra ser bom, vai ser. Pra você.

Boa semana, amor.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 290 other followers