Prece número 3

Chegará esse dia, chegará

Em que nós vamos ser melhores, chegará

Em cada festa uma rotina, até cansar

e o amor, destino certo, florescerá, acontecerá, virá será.

 

Mas o caminho é uma subida, e até lá

a esperança agarra a gente – muito mais que a gente a ela.

ela pede, por favor, não me abandone à tragédia

e ela berra, igual a terra, quem me cuide (por favor!).

 

Mas feito o gato que espreita e desvia amiúde:

as palavras correm doidas cada vez que são lembradas

e se escodem nesse mundo, reformado em dureza

que petrifica os corações desprevenidos e amansados.

 

Os apertados ainda batem, entram em coro num trovão

que cai dos céus e enraíza a sinfonia que nos une.

Entre tanta reticência, quem questiona um mundo são,

se somos poucos na torcida ansiosa pelo caos?

 

Mas chegará esse dia, ouvi dizer que chegará

Um brinde ao novo que, à força, desde já se ressuscita

para rasgar esse  silêncio, cancerígeno, feito em sangue.

E mudar, fora do rio, a vida que nunca mais volta.

 

 

A loucura que nos une, fermenta dentro desse copo

E eu morri tanto, tantas vezes, que não podia estar mais sóbria

O futuro ainda é turvo, e isso é em tudo o nosso bem

Juntem as borras e as cartas, tudo e nada vai servir.

 

É que antes disso eu nasci, e desde lá muito mudou

eu li o sol, e vi a lua e tudo mais que permanece

Eu não prometo, eu não insisto. Da sua parte eu nada peço.

De minha parte, eu sou da água, não me maltrate o coração.

 

 

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