Por fora

Sinto falta de escrever prosa.
Cada mulher nessa casa está quebrada à sua maneira.
Perco um talento por dia – e isso é só uma parte
Só uma parte pequena da bagagem que é preciso encaixotar.

Os cadernos nunca foram tão brancos
A sala nunca esteve tão vazia
E eu nunca acendi tantos cigarros.
– Implorando que alguém me acorde,
enxotando qualquer um que ouse.

Recorro, na estante, aos meus livros favoritos
Desejo recomeçá-los, como se recomeçando  pudesse voltar no tempo
à idade que tinha quando os li – ou outra idade que fosse, não importa…
E é claro que nada acontece.

Carrego a ingênua certeza de que há muita vida pela frente  – e sinto, mais que qualquer outra coisa, o peso da obrigação de vive-la.  Quem sabe como? Quem foi consultado?

Cada mulher nessa casa está quebrada à sua maneira.
E os azulejos estão limpos.
E das janelas entra ar.

 

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